“Ser professora para mim é ser uma agente potencial de mudança da sociedade. Através da educação é possível de verdade mudar realidades.” A declaração de Ana Carla Fagundes de Carvalho, de 48 anos, resume o sentimento que acompanha sua trajetória de 27 anos na educação.
Natural de Salvador e moradora de Abrantes, em Camaçari, há 15 anos, Ana Carla encontrou na docência um caminho para contribuir com a sociedade e transformar vidas. Neste Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro, sua história se soma à de outros educadores que compartilham experiências, desafios e a importância do ensino para a construção de um futuro melhor.
A professora conta que a escolha pela carreira não aconteceu inicialmente por vontade própria. Diante das dificuldades financeiras enfrentadas pela família, sua mãe decidiu matriculá-la no magistério, preocupada em garantir melhores condições de vida para os filhos.
Foi durante essa formação que Ana Carla descobriu sua vocação. Ao se aproximar da docência, passou a enxergar na educação uma possibilidade concreta de promover mudanças, principalmente na vida das pessoas em situação de vulnerabilidade social.
“Minha mãe me matriculou no magistério e, nesse caminho, eu me apaixonei pela docência e entendo que ali era o lugar de fazer muitas transformações, principalmente no meio dos mais vulneráveis”, relata.

Foto: Acervo pessoal/Ana Carla Fagundes
Após lecionar na Escola Rural, Ana Carla passou a atuar na luta pelos direitos da categoria, assumindo uma cadeira no Sindicato dos Professores da Rede Pública Municipal de Camaçari (Sispec). A experiência reforça sua atuação em defesa dos profissionais da educação, especialmente diante de uma das principais reivindicações da categoria: a valorização da carreira.
Para ela, o trabalho docente exige estudo contínuo, qualificação e responsabilidade, fatores que precisam ser reconhecidos pela sociedade e pelo poder público.
“Somos uma categoria que estudamos muito. Buscamos muita qualificação e, acima de tudo, desejamos a valorização desse tempo de estudo”, afirma.

Foto: Acervo pessoal/Ana Carla Fagundes
A professora também destaca que a formação dos educadores é fundamental para acompanhar as mudanças e garantir que os estudantes tenham acesso a conhecimentos atualizados. Em sua avaliação, o reconhecimento profissional é parte importante do fortalecimento da educação.
A própria história de Ana Carla representa o potencial transformador que ela atribui ao ensino. Mestra em Educação, ela foi a primeira pessoa da família a alcançar esse título, após concluir o mestrado por meio das cotas. “Amo ser professora”, enfatiza.
O encontro entre passado, presente e futuro
A educação também é, para Viviane Santana da Silva, de 30 anos, uma maneira de compreender a sociedade e contribuir para o desenvolvimento das pessoas. Natural de Castro Alves, Recôncavo Baiano, ela começou a atuar como professora de História em 2023 e encontrou na profissão a oportunidade de compartilhar conhecimentos e ampliar perspectivas.
O interesse pela docência surgiu do desejo de contribuir com a sociedade por meio da aprendizagem, da troca de experiências e do contato com diferentes culturas.
Para Viviane, ensinar História vai além de apresentar acontecimentos e personagens do passado. A disciplina permite relacionar diferentes períodos históricos à realidade atual, ajudando os estudantes a compreender a sociedade em que vivem.
“Ser professor de História é entender o passado, dialogando com o presente”, explica.

Foto: Acervo pessoal/Viviane Santana
Apesar da satisfação com o trabalho, a professora aponta dificuldades que afetam o cotidiano escolar. Entre elas estão as condições de trabalho, a infraestrutura das instituições de ensino e a remuneração dos profissionais.
Na avaliação de Viviane, oferecer condições adequadas aos educadores é essencial para melhorar o processo de aprendizagem e fortalecer o ensino.
“A educação é uma das áreas mais importantes para a sociedade, pois é por meio do conhecimento que as pessoas têm oportunidades de crescimento”, destaca.
Mesmo diante desses obstáculos, ela considera gratificante acompanhar o aprendizado dos estudantes e ter contato com pessoas de diferentes origens, vivências e referências culturais.

Foto: Acervo pessoal/Viviane Santana
A inspiração que vem da família
Aos 26 anos, Matheus Costa dos Santos Bastos também acredita no poder da educação para transformar trajetórias. Natural de Governador Mangabeira, Recôncavo Baiano, ele atua há cinco anos como professor e leciona História, Filosofia e Cultura Maker.
Atualmente, trabalha no Educandário Construir, em Governador Mangabeira, e no Colégio Gregor Mendel, em Feira de Santana.
Diferentemente da trajetória de Ana Carla, que descobriu a vocação durante a formação no magistério, Matheus destaca a influência familiar em sua escolha profissional. O pai e o padrinho foram suas principais referências e contribuíram para que ele enxergasse a docência como uma forma de fazer a diferença na vida de outras pessoas.
Para o educador, ensinar significa participar da formação de indivíduos que também poderão contribuir para a transformação da sociedade.
“É uma profissão muito importante para minha vida e também para a sociedade, onde podemos transformar o futuro de pessoas que veem na educação uma forma de mudar de vida”, afirma.

Foto: Acervo pessoal/Matheus Bastos
Entretanto, Matheus chama a atenção para a falta de reconhecimento enfrentada por parte dos profissionais e para as dificuldades de despertar o interesse dos estudantes pelo conhecimento.
Ele observa que o excesso de telas e o uso da tecnologia, quando não acompanhados de uma busca mais aprofundada por informações, representam desafios para o trabalho em sala de aula. Diante desse cenário, os professores precisam adaptar suas metodologias e estratégias de ensino para estimular a participação e a aprendizagem.
A questão, segundo ele, não se resume à tecnologia, mas envolve também a maneira como os estudantes se relacionam com o conhecimento e a importância de desenvolver o interesse pela aprendizagem.
Mesmo com essas dificuldades, Matheus segue investindo na própria formação para aprimorar o trabalho dentro e fora da sala de aula.
O que significa para você ser professor?
Para além das dificuldades estruturais, da necessidade de valorização profissional e das mudanças no ambiente escolar, os três educadores compartilham uma visão em comum: a docência é uma atividade capaz de abrir caminhos e transformar vidas.
Ao falar sobre o significado da profissão, Ana Carla destaca o papel social do educador e a possibilidade de mudar realidades por meio do ensino.
“Ser professor para mim é ser uma agente potencial de mudança da sociedade. Através da educação é possível de verdade mudar realidades”.
Viviane, por sua vez, ressalta a satisfação de compartilhar conhecimentos e contribuir para o desenvolvimento de outras pessoas.
“Ser professor para mim é muito gratificante. É uma forma de disseminar conhecimento e contribuir para o aprendizado das pessoas. É uma profissão bonita, na qual podemos ter contato com várias pessoas, com uma diversidade de aspectos culturais, vivências e conhecimentos diversificados”.
Já Matheus enxerga a docência como uma dedicação que ultrapassa os limites da sala de aula e pode gerar mudanças que se estendem por diferentes gerações.
“Educar para mim está no contexto de poder transformar pessoas e vidas que um dia vão estar transformando outras vidas. Isto, para mim, é a grande magia da educação enquanto ser professor”.
As declarações revelam diferentes caminhos que conduzem à profissão, mas também um propósito compartilhado: contribuir para a formação humana e para a construção de uma sociedade com mais oportunidades.
Neste 15 de outubro, as histórias de Ana Carla, Viviane e Matheus lembram que a educação é construída diariamente, no contato entre professores e estudantes, na troca de conhecimentos e na capacidade de despertar novas possibilidades.
Reconhecer esse trabalho também significa olhar para os desafios que ainda precisam ser superados, como a valorização da carreira, as condições adequadas de ensino e o incentivo à aprendizagem.
Mais do que transmitir conteúdos, ser professor é participar da formação de pessoas que podem transformar a própria realidade e a daqueles que estão ao seu redor.


